Monday, July 11, 2005

Monday, June 27, 2005

Se o vento chamar por mim

Asa delta
voando com as nuvens por escolta
Ave à solta
Gaivota na traineira que regressa
Maré alta
Se o vento chamar por mim
Largo assim tudo
e parto
A procurar descanso noutro porto
No rumo que as estrelas me traçarem
Se o vento chamar por mim

Thursday, June 23, 2005

Saturday, June 18, 2005

Que amor não me engana

Que amor não me engana
Com a sua brandura
Se da antiga chama
Mal vive a amargura
Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor não se entrega
Na noite vazia?

E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito
Muito à flor das águas
Noite marinheira
Vem devagarinho
Para a minha beira

Wednesday, June 01, 2005

casino da figueira, 7 de junho, 22h

Lena d’Água com Ricardo Dias
Voz e piano acústico para alguns dos mais belos temas da música portuguesa.

entrada livre! :)
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Com uma carreira de quase 20 anos feita na pop e no rock, Lena d’Água começou a procurar novos
caminhos de crescimento como cantora a partir do final da década de 90. É nesta altura que realiza uma série de espectáculos de homenagem a Billie Holiday em numerosos teatros municipais do país, com muito boa aceitação mas pouca divulgação. Esta fase ficou registada num disco ao vivo, gravado em Setembro de 2000, no Hot Clube de Portugal - “Lena d’Água canta Billie Holiday”.
Depois de dois anos com Billie, Lena d’Água reencontrou-se numa outra paixão antiga:
Elis Regina, o nome do vulcão que incendiou a plateia do Teatro Villaret naquela noite de Inverno de 1978...” Lena fez a escolha do repertório de Elis no final de 2001, e com os arranjos de Nuno Ferreira, estreou o espectáculo na Primavera de 2002, no Casino da Figueira.
Em 2003 apresenta o espectáculo Lena d’Água ‘Autores Portugueses’, onde recupera canções de Luís Pedro Fonseca, Sérgio Godinho, José Mário Branco, Jorge Palma e António Variações, com a direcção musical de Bernardo Moreira num estilo muito chegado ao jazz, e que trouxe Lena d’Água para “patamares de grande nível de interpretação*.
Destaque ainda para o acompanhamento a cargo de um quarteto de músicos de jazz composto por alguns dos melhores músicos portugueses: Rodrigo Gonçalves (piano), André Fernandes (guitarra eléctrica), Bernardo Moreira (contrabaixo e autor dos arranjos) e André Sousa Machado (bateria). Na verdade, as canções dos autores portugueses contemporâneos renasceram na voz de Lena d’Água. Um espectáculo
de grande qualidade!”*
*Lena d’Água renasce, António Rúbio in Correio da Manhã, junho 2004

Friday, April 22, 2005

A barca dos amantes


Ah
quanto eu queria
conseguir
trazer
a
barca
à
madrugada
e desfraldar
o pano
branco
na que for
terra
a mais amada

Sunday, April 03, 2005

jardim da chuva

toca-me de mansinho e leva-me pela mão
ao jardim onde embarcámos um dia
no silêncio da chuva
percorre-me na sombra
e sê comigo

num momento eterno de sorriso

Wednesday, March 16, 2005

Creio nos anjos que andam pelo mundo


Homenagem a Natália Correia
Leiria, 1994


Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.

In Sonetos Românticos, 1990
(O SOL NAS NOITES E O LUAR NOS DIAS II, pág.392)
Natália Correia

Tuesday, March 01, 2005

Lena canta Elis


foto de Luís Lisboa, Sintra 2003
Maria, Maria
é um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta

Maria, Maria

é o som, é a cor, é o suor
É uma dose mais forte, lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta

Mas é preciso ter força, é preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo uma marca
Maria, Maria, mistura a dor e a alegria

Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça
É preciso ter sonho, sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania de ter fé na vida


(Milton Nascimento/Fernando Brant)

Quando vem do amor

Quando vem do amor
Não dá nem pra não ver
Ver a luz que pintou
Se pintou bem querer
Não dá nem pra não ser, ai
Quando vem do amor

Vem ser bom sinal na minha vida
Puro cristal do meu desejo
Beijo de luz, mais pura força
Força vital da natureza
(ronaldo bastos/luís pedro fonseca)
álbum Lusitânia, 1984