Sunday, October 23, 2005

Helena por Pedro

Recebo cartas de raparigas de doze anos. Querem ser cantoras e mandam beijinhos. Já não respondo. Teria de ser cruel. De resto ninguém me escreve. Ninguém me convida que me apeteça aceitar. Saio sozinha, encontro alguns amigos nos locais do costume, e volto sozinha. Dói-me muito ver a cama vazia. Parece-me injusto. Cada vez é mais difícil. As coisas do quarto, a cama, as duas cadeiras, as cortinas caídas fazem-me sentir como se eu estivesse ali a mais, como se fosse uma intrusa. Às vezes dormem comigo. Mas é só uma infidelidade que cometem para provarem a si próprios que afinal ainda estão muito presos às namoradas. Quando pedem desculpa ainda são mais miseráveis. E eu continuo a cantar cantigas que só imploram, rogam amor e ninguém me ouve. Mais valia não terem palavras, só suspiros e gritos e choros. Talvez alguém ouvisse. Talvez alguém entendesse. É como se estivesse a rezar diante de uma parede de pedra e tivesse por única resposta o eco da minha voz.
Estou cada vez mais sozinha. Depois de cantar ninguém me agarra e diz: “Quero-te como não é possível querer mais alguém. Leva-me contigo. Ou então eu levo-te comigo.” Não. Pedem autógrafos, para as namoradas, ou para os filhos, ou para mostrarem aos amigos. Tocam-me mas ninguém me agarra. Querem só tocar. Batem nos vidros da carrinha, riem-se e eu rio-me. Estou muito cansada. O meu coração está muito pesado. Passaram tantos por mim. Porque não ficou nenhum? Para que passasse um teriam que passar todos os outros? Teria mesmo que ser assim?
P.P.

Tuesday, September 27, 2005

Terra Prometida

SOM
Vi despontar a luz no céu
Mais uma estrela que nasceu para ti
A pouco e pouco a luz subiu
E foi iluminando o rio para ti
E sempre que ela brilhar no fundo do teu olhar
Vou desfolhar o meu amor
Ter o perfume de uma flor para ti
Vou mergulhar no azul do céu
Ser essa estrela que nasceu para ti
E sempre que ela brilhar no fundo do teu olhar
Outras luzes, como archotes, vão arder na noite sem luar
Outros corações perdidos
Como arcas de um tesouro vão-se encontrar

Vi despontar a luz no céu
Mais uma estrela que nasceu para ti
A pouco e pouco a luz subiu
E foi iluminando o rio para ti
E sempre que ela brilhar no fundo do teu olhar
Serve de farol ao mundo, que é um velho barco a naufragar
Dá esperança aos marinheiros
Que à Terra Prometida querem chegar
foto josé carlos nascimento

Tuesday, September 20, 2005

Faz hoje anos que nos casámos!

Lena e Ramiro
Sintra, 20 setembro 1975


Lena Águas e Ramiro Martins
Beatnicks 1976


Friday, September 16, 2005

'Terra Mágica' ao vivo com a orquestra do Zé Marinho

mp3
Gravado ao vivo na RTP com a Orquestra Nova Harmonia
Arranjos e direcção do maestro José Marinho
Parque Maior, 1999