Monday, June 04, 2007

Como sempre, como dantes

"Se estes anos foram uma travessia do deserto (ela diz que foi apenas da estepe) o oásis brilha no fundo dos seus olhos d’água. Diz que é o disco que sempre quis fazer. Já não será para o menino para a menina. Antes para o senhor e para a senhora. É coisa séria.
Contudo, ela ri-se. Como sempre. Conta histórias. Fala de si, da carreira, do pai, do irmão, da infância, dos Saladas de Frutas, do blog, das entrevistas anteriores, da escrita, das injustiças, do regresso, do rock e do jazz, sem nenhuma ordem específica, o discurso apenas flui. «Sou um pouco desbocada», admite. Enquanto isso chama a sua endiabrada cadela, a Tita, que salta de colo em colo, empoleira-se no patamar da janela como se fosse um gato, imitando o ritmo frenético da dona."

por Manuel Halpern, no Jornal de Letras
(excerto)