Tuesday, September 02, 2014

Sunday, August 31, 2014

É ao mar que eu pertenço

SOM


Sei que pertenço ao céu azul

Sei que pertenço ao sol e ao sul
Estou na preguiça que produz
Figos maduros, vinho e luz

Olho este e mundo e no olhar
Sei que pertenço à cor do mar

Tenho palmeiras sob a pele
Lume no peito, noite e mel
Rasgo o silêncio à beira cais
Pronta a partir na paz dos corais

Olho este mundo e no olhar
Sei que pertenço à cor do mar
Cor, a que for do mar

Sei que pertenço à pedra cal
Verde segredo, peixe essencial
Estou no mistério do rumor
Do corpo a arder na guerra do amor

 

José Fanha / Luís Pedro Fonseca

In Lusitânia, Lena d’Água 1984

Sempre que o amor me quiser - 1984 - Lusitânia

SOM
Sempre que o amor me quiser
Basta fazer-me um sinal
Soprado na brisa do mar
Ou num raio de sol

Sempre que o amor me quiser
Sei que não vou dizer não
Resta-me ir para onde ele for
E esquecer-me de mim
E esquecer-me de mim

Como uma chama que se esquece
Numa fogueira que arde de paixão

Sempre que o amor me quiser
Sei que a razão vai perder
Que me hei de entregar outra vez
Como a primeira vez

Sempre que o amor me quiser
Vou-me banhar nessa luz
Sentir a corrente passar
E esquecer-me de mim
E esquecer-me de mim

Como uma chama que se esquece
Numa fogueira que arde de paixão
Sempre que o amor me quiser

(Luís Pedro Fonseca)

Wednesday, July 30, 2014

Dou-te um doce


in Terra Prometida, 1986
Sempre que o amor me quiser
in Lusitânia, 1984

para ti

Anoiteceu, meu amor
o dia desceu no mar
escrevo o teu nome na areia
o tempo parou por instantes
vagueavas sozinho na praia
juntei-me a ti, mergulhei no teu silêncio mágico
lentamente

Anoiteceu, meu amor, pressinto-te perto
corro descalça por ti, a lua poisou-te nos olhos
e soltei os cavalos do vento, demos as mãos
caminhámos num abraço eterno
tão ao longe

Encontrei-te no mar, percorri-te de cor
nos teus braços de amor adormeci
embarquei no milagre que há em ti
perdi-me contigo no silêncio do cais...

Amanheceu, meu amor
por dentro nasceu o sol
sobes por mim devagar, procuras o céu no meu corpo
num sorriso os teus olhos encontram nos meus
mais uma estrela que se acendeu
em ti deslizo mansamente


lena d'água

(nos álbuns salada de frutas sem açúcar, 1980
e lena d'água tu aqui, 1989)