Monday, May 19, 2008

calmaria

calmaria de bonança me inunda os braços de mar
já caídos sob a maré vazia do teu corpo

lua cheia numa madrugada suave e límpida
como água corrente

sussurrar de ramos floridos no outono

frases soltas e dispersas, soluçando nesta mesa
de telhas partidas

Ouvi-te. Cantavas no cimo da colina, com um
pássaro poisado no corpo mansamente belo e
transparente.

Queria viver assim, simples, crua, fluida.
Como uma estrela pendurada nos teus cabelos.

1 comment:

TipJar said...

Os silêncios


Não entendo os silêncios
que tu fazes
nem aquilo que espreitas
só comigo

Se escondes a imagem
e a palavra
e adivinhas aquilo
que não digo

Se te calas
eu oiço e eu invento
Se tu foges
eu sei não te persigo

Estendo-te as mãos
dou-te a minha alma
e continuo a querer
ficar contigo

Maria Teresa Horta

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Francisco Carrilho